sexta-feira, outubro 4, 2024

Concerto Mineral, que faz música com cerâmica estreia no Teatro Oficina, em São Paulo

O espetáculo ‘Instalação-concerto Mineral’ apresenta mais de 100 peças em cerâmicas acústicas que dão corpo a um grande instrumento musical de sonoridade única
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A relação entre cerâmica e música é antiga. Usada como base para percussão, os exemplos são registrados em várias culturas, como nas moringas, presentes na música africana e brasileira e na cultura andina. Para o artista plástico Máximo Soalheiro, conhecido como um dos mais importantes ceramistas do país, essa história precisava ser ampliada, pois as possibilidades de se fazer som com cerâmica são infinitas. Depois de 25 anos de pesquisa, ele apresenta, pela primeira vez em São Paulo, a instalação Mineral, composta por 103 peças em cerâmica, afinadas com alta precisão. O resultado compõe o concerto que será apresentado nos dias 16 e 17 de julho, às 21h, no Teatro Oficina.
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A instalação, que pode ser entendida como um grande instrumento musical disposto em duas séries de peças em mesas microfonadas, permite a execução de obras do repertório erudito e popular, com uma sonoridade única de grande riqueza de timbre. Para dar vida ao projeto, Máximo se associou ao músico e designer de som Pedro Durães, que assina a direção musical do espetáculo, e a um grupo de instrumentistas virtuoses e abertos à experimentação de linguagens. Além da instalação, tocada com as mãos, baquetas e arco, a performance musical conta com baixo acústico, percussão, sopro, piano e voz.

Com 70 minutos de duração, as apresentações tem no repertório composições de Hermeto Pascoal, Santiago Vazquez, Carlos Aguirre, Steve Reich, Björk, João Donato, Claude Debussy, Ary Barroso e Rafael Martini. Os arranjos foram escritos especialmente para a sonoridade criada pelo conjunto de instrumentos. O concerto reúne os músicos Camila Rocha, Davi Fonseca, João Paulo Drummond, Kristoff Silva, Leandro César, Pedro Durães, Juliana Perdigão e Yuri Vellasco.
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Máximo Soalheiro explica que sua obra sempre buscou um diálogo com outras manifestações artísticas, como a música, o teatro e a literatura. “A música sempre fez parte do meu trabalho e cheguei a iniciar estudos na área, que depois deixei para me concentrar nas artes visuais”, conta. Para realizar Mineral, o artista se dedicou a pesquisa de materiais, processos de queima e vitrificação, chegando ao material definido para a instalação, o agalmatolito (especificamente a pirofilita), que tem ocorrências maiores em Minas Gerais e na China.
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O ceramista esclarece que se trata de minério que produz sonoridade rica, que se sustenta no ar e com altura definida. A composição da cerâmica, além do mineral, traz um balanço minucioso de outros elementos e processos de moagem e queima, para resultar no material exato para a finalidade musical.

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Concerto Mineral – foto: Ana Lara/Studio Tertula

O passo seguinte foi passar da pesquisa para a produção das peças, a partir de uma definição de parâmetros estabelecidos matematicamente. Hoje, de acordo com Máximo Soalheiro e Pedro Durães, é possível ter certeza, ao abrir o forno, que a cerâmica produzida emitirá a nota esperada ou bem próxima do ideal. Para garantir ainda mais exatidão na emissão do som, os vasos cilíndricos de diferentes alturas, espessuras e diâmetros, são micro afinados com água adicionada no interior de cada coluna.
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Pedro Durães explica que a sonoridade de Mineral tem características originais. “Em termos acústicos, o material vibratório é a própria parede do objeto e não o ar, como nos instrumentos tradicionais de percussão em cerâmica. São gerados os sons harmônicos, ou seja, afinados e com grande sustentação temporal. E por ser modular, os objetos podem ser agrupados de diversas maneiras, gerando escalas musicais e sonoridades particulares, o que expande as possibilidades de repertório”.
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Com direção artística de Máximo Soalheiro e direção musical de Pedro Durães, o concerto Mineral – Circulação é patrocinado pela CEMIG, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. Apoio cultural do Inhotim, Teatro Oficina e Instituto Cultural Filarmônica. Realização do Governo de Minas Gerais — Governo diferente, Estado Eficiente.

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Concerto Mineral – foto: Ana Lara/Studio Tertula

REPERTÓRIO
1. Electric counterpoint (1º movimento – Fast) – Steve Reich / Arranjo adaptado: Pedro Durães
2. El amor – Santiago Vazquez / Arranjo: Kristoff Silva
3. Laguna de água – Carlos Aguirre / Arranjo: Leandro César
4. Stars – Bobby McFerrin / Arranjo: Pedro Durães
5. Estampes, pour piano (1º movimento – Pagodes) – Claude Debussy / Arranjo: Pedro Durães
6. The anchor song – Björk / Arranjo: Pedro Durães | Participação especial: Juliana Perdigão
7. Música das nuvens e do chão – Hermeto Pascoal / Arranjo: Davi Fonseca
8. Na baixa do sapateiro – Ary Barroso / Arranjo: Kristoff Silva
9. A rã – João Donato e Caetano Veloso / Arranjo: coletivo
10. Sono – Rafael Martini / Arranjo: Coletivo

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Concerto Mineral – foto: Ana Lara/Studio Tertula

FICHA TÉCNICA
Músicos: Camila Rocha – cerâmicas harmônicas e contrabaixo | Davi Fonseca – cerâmicas harmônicas e piano | João Paulo Drummond – cerâmicas harmônicas e moringas | Kristoff Silva – cerâmicas harmônicas e sintetizador | Leandro César – cerâmicas harmônicas | Pedro Durães – cerâmicas harmônicas e eletrônicos | Yuri Vellasco – cerâmicas harmônicas e moringas | Participação especial: Juliana Perdigão – voz, clarineta e clarone || Produção executiva: Pira Cultural | Direção musical: Pedro Durães | Direção artística: Máximo Soalheiro | Assessoria de imprensa: Débora Venturini | Fotos: Ana Lara/Studio Tertula

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Concerto Mineral – foto: Ana Lara/Studio Tertula

SERVIÇO
INSTALAÇÃO-CONCERTO MINERAL
Datas e horários: 16 e 17 de julho, terça e quarta-feira, às 21 horas
Local: Teatro Oficina – Rua Jaceguai, 520 – Bela Vista, São Paulo – SP
Ingressos: R$ 50 reais (a inteira), R$ 25 reais (meia entrada) a venda na bilheteria e no sympla online. clique aqui.
Para conhecer: clique aqui.
Espetáculo Mineral na íntegra: clique aqui.


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