Espetáculo "Exílio: notas de um mal-estar que não passa", do Coletivo Legítima Defesa - foto Sergio Silva
Trabalho metalinguístico explora as poéticas de Abdias Nascimento e Augusto Boal na peça “Exílio: notas de um mal-estar que não passa”, com direção de Eugênio Lima
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Depois de uma temporada de estreia de sucesso no Sesc 14 Bis, o Coletivo Legítima Defesa faz mais cinco apresentações de Exílio: notas de um mal-estar que não passa. As sessões acontecem em novembro, no Galpão do Folias – Espaço Reinaldo Maia (Rua Ana Cintra, 213, Santa Cecília, São Paulo) nos dias 14 (quinta, às 21h), 16 (sábado, às 20h e às 22h) e 17 (domingo, às 19h e às 21h). Os ingressos custam de 15 a 30 reais, e podem ser adquiridos no link sympla.
Partindo da ideia de que negritude é construir outros futuros, o trabalho é definido pelo grupo como uma “transcriação da poética” do período de exílio vivido por Abdias Nascimento (1914-2011) e a sua relação com Augusto Boal (1931-2009). Por isso, para a construção dramatúrgica, Eugênio Lima e Claudia Schapira se inspiraram livremente nas peças escritas pelos dois autores, além de utilizarem vários materiais de pesquisa do acervo do TEN – Teatro Experimental do Negro.
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“A peça é fundamentada na ideia de que existe uma relação entre o Abdias Nascimento e o Augusto Boal que não foi contada. Nosso principal argumento é que o início do Teatro Experimental do Negro se funde com o começo da carreira dramatúrgica do Boal, já que o primeiro texto que ele escreveu foi para o TEN”, comenta Lima, que também assina a direção de Exílio.
Sobre a encenação
Em Exílio: notas de um mal-estar que não passa, um grupo de atores explora trechos de peças sobre Protagonismo Negro, Drama, Tragédia, Sacrifício e Exílio, mas é bloqueado por um sentimento de impossibilidade. Eugênio descreve: “Nosso espetáculo constitui-se como um sample de textos em que tudo é documento”.
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A montagem inclui O Imperador Jones e Todos os Filhos de Deus Têm Asas (Eugene O’Neill), O Logro (Augusto Boal), Sortilégio – Mistério Negro (Abdias Nascimento) e Murro em Ponta de Faca (Augusto Boal). Para Abdias, todo negro fora da África vive um autoexílio. Esse conceito permeia o espetáculo, que usa metalinguagem com a equipe técnica em cena e Eugênio dirigindo como em um ensaio.
No palco existe um grande “tapete da memória”, criado pela projeção, por onde transitam seis performers negres: Walter Balthazar, Luz Ribeiro, Jhonas Araújo, Gilberto Costa, Fernando Lufer e Thaís Peixoto (atriz convidada). Ainda há a participação da atriz Luaa Gabanini (em vídeo). Por convenção, o grupo estabeleceu que quem não estiver no “tapete” está fora de cena, entretanto, como eles nunca abandonam o espaço, os espectadores sempre os veem.
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O cenário de Exílio: notas de um mal-estar que não passa inclui projeções de documentos históricos do IPEAFRO e Instituto Boal, com videografia de Bianca Turner e luz de Matheus Brant. No som, o espetáculo traz depoimentos de Léa Garcia, Ruth de Souza e Abdias do Nascimento, além de obras de Frantz Fanon. A trilha explora ritmos variados, com Hip Hop dos anos 1980 e 1990, Philip Glass, Racionais MC’s, tambores de candomblé, Billie Holiday e Marvin Gaye, sob direção musical de Eugênio Lima.
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A ação ocorre em um local indefinido, atravessando as décadas de 1940 a 1970. O figurino de Claudia Schapira, com peças chave de cada época, situa os personagens, mantendo os atores sempre em “roupa de ensaio”. A paleta de cores em preto e branco, definida pelo diretor, remete à primeira peça do grupo e reforça o aspecto documental, explica Eugênio.
FICHA TÉCNICA
Direção, direção musical, música e desenho de som: Eugênio Lima | Dramaturgia: Eugênio Lima e Claudia Schapira | Intervenção dramatúrgica: Coletivo Legítima Defesa | Com samplers dramatúrgicos de: Frantz Fanon, Racionais MC’s, Augusto Boal, Abdias Nascimento, Maurinete Lima, Eugene O’Neill, Nelson Rodrigues, Agnaldo Camargo, Ruth de Souza, Léa Garcia, Túlio Custódio, Guilherme Diniz, Gianfrancesco Guarnieri, Molefi Kete Asante e Iná Camargo Costa | Elenco do Legítima Defesa: Walter Balthazar, Luz Ribeiro, Jhonas Araújo, Gilberto Costa, Fernando Lufer e Eugênio Lima | Atrizes convidadas: Thaís Peixoto e Luaa Gabanini (em vídeo) | Produção: Iramaia Gongora Umbabarauma Produções Artísticas | Videografia: Bianca Turner | Iluminação: Matheus Brant | Figurino: Claudia Schapira | Direção de gesto e coreografia: Luaa Gabanini | Assistência de direção: Fernando Lufer | Fotografia: Cristina Maranhão | Design: Sato do Brasil | Consultoria vocal: Roberta Estrela D´Alva | Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Carol Zeferino e Daniele Valério | Cenotécnico: Wanderley Wagner | Vídeo: Matheus Brant | Engenharia de som: João Souza Neto e Clevinho Souza | Costureira: Cleusa Amaro da Silva Barbosa | Parceiros: Casa do Povo, Ipeafro, Instituto Boal, Editora 34 e Editora Perspectiva
SERVIÇO
Exílio: notas de um mal-estar que não passa
Datas: 14, 16 e 17 novembro 2024 – quinta, às 21h; sábado, às 20h e 22h; domingo, 19h e 21h
Local: Galpão do Folias – Espaço Reinaldo Maia – R. Ana Cintra, 213 (ao lado do metrô Santa Cecília) – Campos Elíseos, São Paulo – SP
Ingresso: Valor R$ 30,00 Inteira | R$ 15,00 meia | R$ 10,00 lista amiga
Vendas online: clique aqui.
Duração: 90 minutos Classificação: 16 anos
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