EDUCAÇÃO

O silêncio como elemento civilizador

O RESTO É SILÊNCIO
Da outra sensação à intuição da beleza, do prazer e da dor ao amor e ao êxtase místico e à morte – todas as coisas que são fundamentais, todas as coisas que, para o espírito humano, têm o mais profundo significado, podem ser apenas experimentadas, e não exprimidas. O resto é sempre, em qualquer lugar, silêncio. Depois do silêncio, aquilo que mais se aproxima de exprimir o inexprimível é a música.”
– Aldous Huxley, em “Música da noite & outros ensaios”. [tradução Rodrigo Breunig]. Porto Alegre: L&PM, 2014.

O silêncio como elemento civilizador

– por Roniel Sampaio Silva* / Café com Sociologia

A natureza é cheia de sons, silêncios e barulhos. Quando nascemos nos rebentamos numa explosão de prantos e gritos. Nossa primeira grande lição de socialização é sobre o barulho e o silêncio. O silêncio significa geralmente que está tudo bem; o barulho, o choro significa que algo está errado ou incompreendido.

A nossa segunda lição também está na dialética do silêncio e do barulho. Ouvimos os ruídos das vozes de nossos pais e aprendemos a linguagem. Sem o silêncio da observação, não há o sentido na linguagem, apenas barulho. Portanto, o silêncio sempre precede o aprendizado. O som emitido por sua vez, pode virar uma mensagem ou não, dependendo do ouvinte. Quando esse som não faz sentido para nós, é chamado barulho, quando faz parte do nosso universo simbólico, transforma-se em: fala, música, poesia, discurso, política, ciência etc.

Portanto, caros ouvintes, façamos do silêncio o ponto de partida para o aprendizado, para o crescimento, para a compreensão do mundo. Torna-se necessário o reaprender o tempo do silêncio e do som. Cada momento de reflexão no silêncio pode gerar um som posteriore cada som pode gerar um silêncio. Embora sejam antagônicos, eles são complementares.

Desta maneira, não é possível haver cognição na confusão dos sons uma vez que é apenas através do silêncio de nós mesmos que podemos selecionar os sons de vozes, de músicas para darmos sentidos e interpretá-los com base no que aprendemos socialmente. Ou seja, é somente no silêncio que aprendemos a dar sentido aos sons, por isso que torna-se crucial se abrir para ouvir muito mais que falar.

Nesse mundo extremamente barulhento, cujos ruídos, onomatopeias urbanas fazem parte da nossa paisagem sonora, é crucial pensar em silêncio. A final é no silêncio da nossa mente que se consolida as mais barulhentas ideias e é sempre necessário haver silêncio para que as pessoas dialoguem.

* Roniel Sampaio Silva.Mestre em Educação e Graduado em Ciências Sociais. Professor do Programa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – Campus Floriano. Dedica-se a pesquisas sobre condições de trabalho docente e desenvolve projetos relacionados ao desenvolvimento de tecnologias.

Fonte: Café com Sociologia.

Revista Prosa Verso e Arte

Música - Literatura - Artes - Agenda cultural - Livros - Colunistas - Sociedade - Educação - Entrevistas

Recent Posts

Escafandristas cantam Buarque no Bona Casa de Música, em São Paulo

Bona Casa de Música recebe o espetáculo "Escafandristas cantam Buarque", com Alice Passos, Luísa Lacerda,…

4 horas ago

João Marcondes lança álbum ‘The Smile and the Flower Suite’

“The Smile and the Flower Suite”, novo álbum do compositor e educador musical do Conservatório…

5 horas ago

Espetáculo ‘Cobras, lagartos e minhocas’ estreia no CCBB Rio

Os curiosos acontecimentos da vida de um homem de meia-idade, desde o final de sua…

5 horas ago

Beto Saroldi lança seu 8º álbum de carreira: ‘A Noite é Nossa’

O renomado saxofonista, compositor e produtor musical Beto Saroldi celebra mais um marco importante em…

6 horas ago

Josyara lança seu terceiro álbum ‘Avia’, trazendo parcerias com compositoras contemporâneas

Liniker, Anelis Assumpção, Pitty, Iara Rennó, Juliana Linhares e Cátia de França participam do álbum,…

7 horas ago

Musical ‘Os Sons de Notre Dame’, em única apresentação no Teatro Gazeta, em São Paulo

São Paulo vai despertar ao soar de Notre Dame com espetáculo baseado no clássico literário…

19 horas ago